Perfil Das Empresas:
   O ambiente de trabalho pode ser tanto um inibidor quanto um facilitador para o consumo de drogas, álcool e tabaco. Empresas sem uma política definida oferecem maior segurança ao usuário por este não estar sujeito a fiscalização dos órgãos competentes ou da própria empresa. Quando uma empresa possui uma política clara e coesa sobre o assunto, ela inibe o consumo de drogas deixando claro que o infrator será submetido a medidas previstas no programa.

   As primeiras empresas a adotarem programas de prevenção e controle no Brasil, não coincidentemente, são líderes seu segmento. Embora representem mercados distintos, essas empresas se assemelham pelos altos índices de saúde e segurança, baixos índices de rotatividade, competitividade no mercado global, elevado investimento no público interno. Além de desempenharem um papel pró-ativo na sociedade.

   Muitas dessas empresas competem internacionalmente e precisam se adequar às práticas globais de funcionamento, que vão além das normas vigentes em seu país. Para fazer negócios no mercado internacional, muitas precisam seguir os mais elevados procedimentos para assegurar a qualidade de seus produtos e serviços, a segurança de seus locais de trabalho e profissionalismo de seus funcionários.

SINDICATOS E ASSOCIAÇÕES:

   O envolvimento de sindicatos e associações torna-se fundamental na elaboração e aplicação do programa. Embora a postura inicial seja de ceticismo, a grande maioria apóia a iniciativa uma vez que percebem o caráter não-punitivo e os benefícios para aos próprios empregados.

   Atualmente, é possível relacionar o programa com a melhoria de índices internos como aumento de produtividade, maior satisfação dos funcionários, admiração pela marca, diminuição de acidentes e aumento de indicadores de saúde.

A EMPRESA E AS LEIS SOBRE DROGAS:


   Em agosto de 2006, começou a vigorar a lei que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas (SIsnad), que, entre outras providências, prescreve medidas para a prevenção do uso indevido, atenção e reinserção social de usuários e dependentes de drogas.

   A nova lei atribui ao setor empresarial seu papel neste contexto, constituindo como atividades de prevenção: “o compartilhamento de responsabilidades e a colaboração mútua com as instituições do setor privado e com os diversos segmentos sociais, incluindo usuários e dependentes de drogas e respectivos familiares, por meio do estabelecimento de parcerias” (Art. 18, parágrafo IV).

   Desta forma, ainda que não especifique o papel das empresas, indica que estas também têm sua responsabilidade na atuação em relação ao uso de substâncias psicoativas – independentemente de ser em relação a colaboradores ou qualquer outro grupo da sociedade.

LEI SECA:

   Já o Código de Trânsito Brasileiro, por sua vez, prevê que dirigir sob a influência de álcool ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência química ou psíquica deve ser considerada infração gravíssima.

   Com atual rigidez sobre a quantidade de álcool limite a ser ingerida por pessoa, quando esta está ao volante (lei 11.705, que altera o atual Código de Trânsito), muitas empresas podem estar ameaçadas. Exemplos disso são transportadoras, revendas ou qualquer organização que dependa do uso diário de veículos, que podem perder colaboradores ou se verem obrigadas a pagar caro pelo simples fato de um funcionário ser pego no teste do bafômetro.

   Vale lembrar que quem for pego dirigindo depois de beber, além da multa de R$ 955, vai perder a carteira de motorista por 12 meses. E caso o motorista cause acidente sob o efeito de tal substância, principalmente se estiver em serviço, as conseqüências podem se tornar ainda mais graves.

RELAÇÃO DROGAS E EMPRESAS:

  Cada vez mais organizações investem na saúde e bem-estar de seus colaboradores, uma ação que reverte em melhores resultados tanto para a empresa como para a sociedade em geral.

  E com o problema da dependência química não é diferente, o trabalho de prevenção e reabilitação no ambiente corporativo é positivo para o colaborador e sua família, e principalmente, para a sociedade.

  Um dos fatores que, naturalmente, mais contribuem para o sucesso do tratamento da dependência química no ambiente corporativo é sem dúvida a necessidade de manter o emprego.

   Isso pode tornar o ambiente de trabalho o local mais indicado para abordar o problema do uso de drogas e álcool, alcançando níveis superiores de reabilitação em relação a qualquer outro contexto.